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Arquivo
de Ralfer Zaidan
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continuação...
Quando
questionamos Fernando Anitelli sobre as recentes apresentações
em canais abertos no país, foi direto: “Esse estilo de sarau
amplificado - não apenas com uma apresentação, mas
em um estado de espírito, acho que faz a gente entender melhor
essa forma de trabalhar independente. E deste caminho, temos exemplos
como os ‘Racionais’, que venceram através do movimento
hip hop. Que na minha opinião, é o movimento cultural que
mais se aproxima da maneira verdadeira de se fazer música. Eles
se viram com uma batida de disco sendo riscado com um monte de poesia.
E veja só: a ordem dos músicos não reconhece o DJ
como músico e o MC como cantor. E mesmo assim eles vencem. São
independentes. Um outro exemplo disso é o Silvério Pessoa.
É pernambucano. Para vocês terem uma idéia, o CD dele
tem participação de Dominguinhos, Lenine e Alceu Valença.
O cara está no Japão, Holanda, foi para a Alemanha e não
consegue tocar em São Paulo. Neste estilo realmente é mais
difícil, pois, o artista não tem contato com o público
e nem o público com o artista. Então, todo o espaço
que pudermos ocupar, da melhor maneira e em qualquer mídia, vamos
falar com dignidade do nosso trabalho. O Teatro Mágico sempre aparece
dentro destes canais, através do jornalismo cultural. Estamos vencendo
muito coisa. E realmente por causa do público, a televisão
começou a procurar entender como que um grupo consegue mobilizar
tantos jovens. Eu acredito que o talento e a criatividade de todo esse
pessoal que eu tive a graça de cruzar nessa estrada, contou muito.
Aceitaram realizar a mistura - fazer teatro, circo e canções
ao mesmo tempo. (...) E quando falamos para piratearem nossa obra, é
porque vendemos a R$5,00. Um valor acessível pra todos. Todo mundo
já fez isso, inclusive com fita cassete. Quem nunca teve em casa
uma fita escrita: ‘lentas’?” – finaliza o artista.

Uberaba, 7 de setembro.
Um detalhe que ficou bem claro na entrevista com Fernando, é que
mesmo diante dos vários convites para participarem de listas de
artistas que “pertencem” a alguma gravadora no país
ou produtora de maior expressividade, são conservadores –
preferem fazer tudo da forma mais transparente para o seu fiel patrocinador:
o público. Declaram claramente, que só devem satisfações
para quem acompanha o trabalho. E só.
Muita gente pegou estrada para assistir a apresentação em
Uberaba. Jorge Davo, 27 anos, é químico em Araxá
e foi com a esposa e amigos a Uberaba - especialmente para o show. Para
ele, o que mais impressionou no grupo, foi o incentivo que fazem à
cultura. Desde a possibilidade para adquirir um excelente CD por R$ 5
ou R$ 10 e até mesmo, poder fazer cópias do trabalho. Quando
questionado sobre a importância de apresentações como
essa, afirmou: “Não acho importante. Acho FUNDAMENTAL! Nosso
país carece de manifestações culturais de 'boa qualidade'.
É um alento para a alma assistir a um show como o do TM! Uma oportunidade
única para ouvir boa música, poesia, assistir performances
circenses e dar boas risadas! De todas as manifestações
culturais que já presenciei, talvez esta seja a única recomendável
para todas as idades. A presença de crianças, jovens e idosos
neste show demonstra isso. Minha mãe adoraria!”.
Canções como “Cidadão de Papelão”
e “Mérito e o Monstro” receberam contextualizações
e adaptações importantes para o espetáculo. “Dá
para imaginar pessoas nas ruas pedindo um trocado e sendo ignoradas. Ou
até mesmo, a exploração diária de trabalhos
injustos; que em uma das músicas, é representada por um
monstro muito bem produzido. Ele entra no palco e literalmente rouba a
cena. Até acho que poderiam ter trabalhado isso mais. O resultado
foi muito bonito.” – afirma Viviane Aparecida Cruz, administradora.
Anitelli e o Cidadão de Papelão: momento
marcante no show
Rafael Fernando, publicitário, é um dos responsáveis
desta apresentação na terra do Zebu. “Trazer o Teatro
Mágico em uma data como essa, o sete de setembro, é especial.
Fomos felizes com esse dia. O T.M. é simplesmente um presente cultural
para todos nós.” – aponta o produtor.
Não fugindo a regra, todo final de espetáculo do grupo é
marcado pela interação com os fãs. Sem retirar o
figurino, os artistas seguiram para o hall de entrada do Centro de Convenções
e repetiram o ritual: tiraram centenas de fotos com os presentes. Momento
marcante e inesquecível para aqueles que aguardaram com boa vontade
em uma longa fila que se formou lá do lado de fora, antes do espetáculo.
Público
se diverte com os artistas do T.M.
O Teatro Mágico é isso, prezados leitores. Um pouco de criatividade
e vontade imensurável de se levar cultura e alegria para um povo
que carece de ações do tipo. Se algum dia estiver em uma
cidade com apresentações da trupe, garanta logo o seu ingresso.
Vale à pena conhecer a família Anitelli.
*Ralfer
Zaidan é jornalista. Matéria para o Jornal Interação
- 12/09/2008
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