Primeira mostra de Arte Postal e
Poesia Visual em Araxá

 


Você tem medo de escrever uma carta?
Artistas Postais deixam de lado a internet e realizam
manifestos por todo o mundo.

*Ralfer Zaidan

Mesmo com todos os recursos da internet, ainda não perdi o grande hábito de chegar em casa e verificar a caixinha dos correios. Mania antiga e que ainda preservo mesmo que seja apenas para receber os penosos boletos bancários. Quem escreveu cartas consegue exatamente entender o significado mágico de se receber uma correspondência tão esperada de um amigo que está longe ou de um grande amor que não mora mais em sua cidade.

E para receber uma carta, mantinha-se um ritual interessante: retirá-la logo da caixa, entrar na residência, dá um “alô” para a família e ir voando para o quarto. Colocava-se então, uma música bacana no “microsystem” e nos próximos 10 ou 15 minutos, o mundo não existiria mais. A atenção era exclusiva para o envelope recebido.

Falar em receber uma correspondência uma década depois da chegada da internet no Brasil já não é coisa usual. Os chats e os discadores VOIP modificaram e baratearam os custos para se matar a saudade de quem está longe. E melhor: tudo em tempo real e com a possibilidade de ser ver a pessoa querida através de uma webcam. De vez enquanto, me surpreendo pensando sobre o futuro da comunicação. Não consigo imaginar até onde o desenvolvimento tecnológico conseguirá nos levar.

E as cartas trazidas por nossos amigos carteiros? Pena realmente para a nova geração que já nasce com um teclado e um mouse na mão. Jamais saberão a exclusiva sensação de se esperar por dias, notícias de longe. A carta era lida e sempre respondida o mais breve o possível. Tão logo escrita, visitava-se a agência dos Correios da cidade para postá-las; e assim, aguardava-se pelo próximo contato. Mesmo com toda a evolução tecnológica, existe um seleto grupo que mantém a importante tradição de se enviar e receber cartas pelo mundo.

Há um mês, fui surpreendido com um belo presente em minha caixa dos correios. Um envelope irreverente, único e de muito bom gosto. Veio logo aquela vontade interessante de se entender o trabalho postal. Abri ali mesmo – na garagem de casa. Era um convite.

Conhecidos como “Artistas Postais”, esses personagens do nosso tempo além de escreverem belíssimos trabalhos, ainda preocupam-se com o visual dos envelopes enviados. Defendem que todo recurso plástico é válido para ser utilizado em suas criações. Para Dário de Souza* e Vanessa Kister* (pai e filha), a arte postal, além de se constituir num eficiente circuito de comunicação artística, tem sido utilizada como um veículo de apoio a diferentes campanhas de solidariedade no mundo.

Kister e Souza, curadores da primeira mostra de Arte Postal e Poesia Visual em Araxá (período de 24/10 a 31/10/08 na Biblioteca Pública), a poesia visual é um movimento artística baseado em uma obra concreta. Pela arte postal, artistas de todo o mundo buscam a comunicação por intermédio desta rede. Além do fator econômico, seu caráter supranacional, desprovido de discriminações e preconceitos, oferece aos participantes um extenso raio de liberdade através de uma simples carta.



Vanessa é artista plástica e reside atualmente em Araxá. Dário de Souza também é artista plástico e mantém em Curitiba-PR, o Angel Fire Art – um jornal de Poesia, Poesia Visual e Arte Postal. Quem tiver interesse por estes e outros trabalhos, podem entrar em contato com eles através do endereço: dario.fire@pop.com.br


Arquivo de Ralfer Zaidan
*Ralfer Zaidan é jornalista.
Matéria publicada no Jornal Interação e Jornal Alto Paranaíba (JAP) - 01/09/2008
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