05 - No geral, experiências inesquecíveis.

Para a realização desta reportagem, o Site ComunicAÇÃO entrevistou pessoas do Brasil, Japão, México e agências de turismo especializadas em exportar “brasucas” para o mundo.

Renée Shentow, é nativa de Ottawa, Canadá. Mora com sua filha, Rachel Shentow, de 17 anos em uma casa aconchegante em um dos bairros tradicionais de Toronto. Decidiu receber alunos do mundo inteiro em 2002. “Depois que Michael (filho mais velho) foi para a universidade, a casa ficou vazia, sem graça. Parecia que realmente faltava alguma coisa. Uma amiga já recebia estudantes e sempre me falava para entrar no programa. Comecei a estudar a idéia. Certo dia liguei para a agência e fiz o cadastro. Em pouco tempo, recebia meu primeiro hóspede. Meu medo era apenas com segurança. São duas mulheres aqui em casa, não é mesmo? Ficamos sempre com um pé atrás com o desconhecido. Como a empresa que encaminha os estudantes é séria, acreditamos em seu trabalho. Foi sucesso total. Então, não paramos de receber essas pessoas. Já perdi a conta de quantos estudantes conhecemos e de quantos países já passaram por aqui.” – finaliza Renée.


Renée, Michael, Ralfer e Rachel - Toronto, Canadá.
Foto: típico jantar - batatas assadas com cascas e cachorro-quente!


Com 15 anos, o estudante Danilo Hideki Oshiro encarou quase 20 (vinte) horas de viagem até chegar a Vancouver. Fez seu primeiro intercâmbio há dois anos. Sem auxílio de agências de intercâmbio, embarcou em uma aventura emocionante e inesquecível: “Fiz contanto direto com a escola. Sendo muito jovem, minha adaptação com outras pessoas foi um pouco mais lenta. Acomodei-me em uma homestay. A dona era de origem indiana. Alguns problemas incomodaram no início. Mas, são com eles que crescemos. Adorei a cidade. Pessoas respeitosas, mendigos simpáticos (hehe) e estações de esqui a menos de 45 minutos do centro de Vancouver. Conheci o Staley Park, andei pelo Canadá Place, fiz refeições em diversos restaurantes, visitei Rock Mountains, Robson Street, Capilano Bridge e English Bay. Uma infinidade de coisas que ficarão na memória pelo resto da minha vida. Recentemente, fui a San Diego, Estados Unidos, para realizar minha segunda viagem de estudos. E como dizem: na California é diferente! Ótima família, comida boa e mais 5 (cinco) estudantes morando comigo. Que coisa boa! Suíça, Kuwait, Estados Unidos e Brasil. Todos juntos na mesma residência, jogando bilhar, conversando e “having fun!”. A melhor viagem que fiz na minha vida. Isso sim é intercâmbio!” – finaliza Oshiro.

Direto do Japão, Toshimichi Matsuda, 63 anos, aposentado e estudante de astronomia aproveitou suas férias da universidade para aprimorar o inglês em um frio de -12°C no Canadá. Toshimichi, ou simplesmente Mr. Toshi decidiu passar 03 (três) meses fora de seu país com a idéia de aprimorar um segundo idioma. “Sinto-me avô de toda essa garotada aqui. Mas, não me importo. Vim com o objetivo de melhorar a língua inglesa e conhecer uma nova cultura. Estou em casa de família, com mais duas pessoas. Fui muito bem recebido e estou feliz aqui em Toronto. Faria tudo novamente.” – define.


Toshi e Ralfer, Downtown, Toronto.

Formada em Turismo, a araxaense Liliane Barbosa Marques (28 anos), também acumulou milhas aéreas rodando a Europa e América. Para ela, o conhecimento adquirido em uma viagem de intercâmbio vai além do banco da escola. É uma possibilidade real para desenvolver mais um idioma, conviver com outra cultura, povos, costumes e tradições. Vivencia-se o dia-a-dia diferente, fazendo amigos de todas as partes do globo. “Tive duas experiências de intercâmbio no exterior. A primeira aconteceu quando eu tinha 19 anos. Fui para a Salamanca, Espanha. E a segunda, foi com 26 anos, indo à Nova York, EUA. No meu primeiro curso, na Espanha, fiquei em casa de família. Tinha um quarto reservado só pra mim. O casal que me recebeu era muito simpático (Ernesto e Lola). O filho deles na época tinha 03 anos (Alejandro). Dei muito certo com a “host family”, inclusive com o pequeno Alejandro; que desde novinho já se interessava no futebol brasileiro; tendo como um dos seus ídolos o jogador Rivaldo. Já para os Estados Unidos, optei por um programa de intercâmbio mais independente. Fui por conta própria, aluguei um quarto no Queens e escolhi uma escola de inglês em Manhattan. Nova York é indiscutivelmente um lugar que todos deveriam conhecer: é moderna, chique, cosmopolita e também cheia de atrativos. Com certeza os cursos valeram os investimentos. Mas, só realizamos isso com muita coragem. Então, é programar!”


Liliane (de amarelo) e amigos intercâmbistas

A estudante paulistana de administração, Patrícia Mayumi Yoshiwara, 20 (vinte) anos, também embarcou em uma aventura para fora do país. Feliz com o programa, Mayumi afirma que independente de ser 01 (um) ou 12 (doze) meses de curso, a pessoa voltará com uma sensação diferente. “Não tem como explicar a emoção de ir para outro país e aprender coisas novas a cada segundo. Somente quem já viajou sabe disso. Com certeza intercâmbio é o melhor investimento que pode ser feito.” – declara.


Patrícia Mayumi Yoshiwara, 20 (vinte) anos, visitando Ottawa (Capital Canadá)


O estudante paranaense de Relações Internacionais, Pedro Augusto Pereira, 19 anos, morou por 3 (três) meses em Toronto, CA. Define sua experiência no exterior de uma maneira interessante: “Toronto foi riquíssima para mim. Conheci desde os “Maple Leafs” (time de Hockey) e a grande e admirável ‘Casa Loma’. No Canadá, percebi muitas oportunidades, tanto de negócios, como amorosas ou de lazer. Não é de se espantar também, a fácil adaptação a esse país que recebe mais imigrantes ao ano que muitas outras grandes nações. Estudo no Canadá é sinônimo de ensino de qualidade, de professores atenciosos, dedicados e de uma experiência cultural sensacional.”

Rodrigo de Siqueira, 38 anos, empresário e professor de Educação Física em Araxá embarcou recentemente em um vôo ainda maior: realizar seu mestrado em Portugal. Para ele, o processo contínuo de aprimoramento, a busca pelo conhecimento e a exigência do mercado, determinam a necessidade de cursos como o escolhido. Através de uma parceria entre a faculdade local e a Universidade Trás-os-Montes de Alto Douro (UTAD), ele e mais 04 (quatro) professores viajam anualmente para tal país. Em entrevista para o Jornal Interação, Siqueira aponta algumas referências importantes para quem deseja realizar o mestrado ou doutorado fora: “A moradia é na residência universitária da própria instituição. Um pouco distante do ‘campus’. Os prédios têm internet, lavanderia, sala de jogos, sala de computadores e para o pessoal do doutorado, um restaurante. Todo andar tem uma cozinha comum, sendo equipada com geladeira, TV, microondas, torradeiras etc. e uma área grande para estudo (no caso o andar que fiquei). Os apartamentos são para duas pessoas sendo que uma vez por semana a camareira passa fazendo a troca da roupa de cama. A estrutura física da universidade é muito grande e o corpo docente de ótimo nível. A diferença que percebi do Brasil, é que eles valorizam a pesquisa e tudo se transforma em publicação; isso no meio acadêmico e curricular conta muito. E no meu entender, nem todo pesquisador é necessariamente um bom professor. Por fim, tem sido com certeza, uma grande oportunidade e boa experiência para nós. Digo nós, pois mesmo por pouco tempo, se não fossem os amigos que estavam sempre presentes (Geovanni, Sérgio, Fabrício e Luís Fernando), a saudade da família e do Brasil seria ainda maior.” – finaliza.

“Eu posso dizer que ficar no Canadá por um ano foi a experiência mais fantástica que já tive. Fui para estudar inglês e francês, mas não imaginava que encontraria amigos especiais vindos de todas as partes do mundo. Compartilhei várias coisas, aprendi sobre culturas e maneiras de pensar. Quando você sai do seu país para estudar, é muito difícil; mas, o Canadá é um lugar incrível; onde as pessoas são lindas, cavalheiras e amigas. Se eu tiver a oportunidade de voltar um dia, retornaria sem pensar duas vezes.”- declara Víctor Hugo Alpízar Lapham, 19 anos, mexicano (nascido em Cidade do México).

Therese Joyce é australiana e há uma década comanda uma renomada escola de intercâmbio no Canadá. Quando questionada sobre a preferência de estudantes em escolher tal país para realizarem seus estudos, é objetiva: “As pessoas aqui são ótimas anfitriãs. Recebemos bem, nossa moeda é mais acessível que a americana, não temos violência e a condição para se obter o visto de estudos são bem favoráveis. E é claro: se não tem crime, os pais ficam mais tranqüilos para enviar seus filhos em programas de aperfeiçoamento. A qualidade de vida aqui é reconhecida como uma das melhores do mundo. Então, é aproveitar!” – afirma Joyce.

Sinara Heringer Pereira, 24 anos, é formada em Turismo. Desde 2006, trabalha em uma agência especializada em enviar estudantes brasileiros para o mundo. Para Heringer, Canadá e África do Sul são os destinos mais acessíveis para uma temporada de estudos. Ressalta ainda, que Dublin (na Irlanda) também é um roteiro sempre cogitado por estudantes por oferecer oportunidades de trabalho; além é claro, da entrada no país não ser complicada como acontece nos Estados Unidos e Inglaterra. Detalha que o público que procura esse tipo de curso possui entre 18 e 30 anos. Na maior parte, são universitários buscando aperfeiçoamento e experiência para sua carreira. Quando tinha 19 anos, Sinara morou por 12 (doze) meses na Cidade do México (México). “Fui para trabalhar como modelo e recepcionista em eventos. No começo nada era fácil. Mas sabia que tinha que esperar um tempo para me acostumar. Apesar de muitos momentos difíceis que passei lá, posso dizer que foi uma experiência maravilhosa. Voltei para o Brasil com uma visão de certas coisas que antes não tinha; ou seja, uma bagagem que vou levar comigo por toda a vida!”.

Também bacharel em Turismo, Tatiane Cristina da Silva, 23 anos, trabalha como agente de viagens em uma empresa em Araxá. Afirma que cursos de 04 (quatro) semanas na Inglaterra e Canadá sempre são solicitados. “A procura por pacotes para o exterior diminuiu consideravelmente depois da crise econômica mundial. A valorização da moeda americana fez muitas pessoas adiarem seus planos. Porém, experiências no exterior sempre serão válidas para o crescimento pessoal, profissional e principalmente cultural. A crise é passageira e aperfeiçoar o currículo é inevitável.”- finaliza.


Índice de capítulos da reportagem especial:

01 - Intercâmbio educacional ou turismo? (abertura).
02 - Passaporte e Visto.
03 - Agência de intercâmbio: dá para escolher uma boa empresa ou "é na sorte"?
04 - Itens da sua ficha de inscrição.
05 - No geral, experiências inesquecíveis (entrevistas).
06 - E você: vai realizar um intercâmbio educacional ou turismo?



Arquivo de Ralfer Zaidan
*Ralfer Zaidan é jornalista.
Matéria publicada no Jornal Interação - 20/02/2009
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